Segunda, 22 Março 2021 13:05

RECONCILIAÇÃO

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RECONCILIAÇÃO

 “Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram” (Gn 33.4).

 

O livro de Gênesis foi escrito pelo profeta Moisés e faz parte do conjunto de cinco livros bíblicos denominado Pentateuco. Nesse grupo estão os livros de  Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. A narrativa em Gênesis traz o começo de todas as coisas, passando pela criação da terra, das águas, dos astros, dos animais e das florestas. Ainda em Gênesis tem-se a criação do homem e o registro do sucesso da tentação com a consequente queda e afastamento do mesmo homem de seu Criador. Ainda no mesmo livro estão registradas as histórias de Abraão, Isaque e Jacó, grandes patriarcas que deixaram um legado de perseverança e confiança em Deus.

O texto diz que Isaque casou e foi pai de gêmeos. Esaú era caçador e seu irmão Jacó era mais caseiro. A narrativa prossegue dizendo que ambos cresceram com personalidades diferentes e certa feita, Jacó enganou seu pai e roubou a benção da primogenitura que pertencia a Esaú. Isso trouxe brigas, ameaças de morte e fuga. Jacó fugiu para outras terras, constituiu família e teve uma relação como seu sogro Labão de engano e fraudes. Instado por Deus a voltar à sua terra e aos seus parentes, Jacó se viu frente a frente com seu irmão Esaú, a quem enganara, todavia, neste retorno à sua terra, estava o tempo da reconciliação com seu irmão Esaú (Gn 33.1-20).

Atente bem que a vida em sociedade traz diversos desentendimentos. Desencontros pessoais estão no seio das famílias, no meio nas empresas, nos espaços escolares e em tantos outros ambientes. É visível que nas relações pessoais uns enganam e outros são enganados. Desses conflitos surgem as mágoas, os rancores, o ódio, a inveja e até mesmo as ameaças de morte. O resultado perverso desses eventos são as crises depressivas, as síndromes do medo e do pânico, as doenças da alma e os pesos na consciência. São fardos pesados demais para serem suportados. Pense!

Com algumas diferenças essa história do encontro dos dois irmãos, do ofendido Esaú com o ofensor Jacó tem semelhanças com muita gente nos dias de hoje. Dentro do contexto de engano, de fraudes e fuga, veja que só mudou a época e a geografia.  Sabe-se de muita gente que brigou, discutiu, ameaçou e chega determinado tempo da vida que essa situação precisa ser equacionada, até porque  traumas do passado acabam por fragmentar muitas histórias, ocasionando medo, angústia e depressão.

Perceba que em todo o contexto bíblico as reconciliações verticais e/ou horizontais nunca estiveram fora da agenda de Deus. Desde a transgressão de Adão e Eva, Deus sempre promoveu a restauração de relacionamentos, aliás, o povo judeu é prova inconteste do amor divino, pois vivenciaram bons e maus momentos na relação com Deus e de forma incrível, Deus jamais se furtou dessa reaproximação. Reflita!

Conhecedores dos bastidores da história, hoje pode-se afirmar que Jacó lutou bravamente consigo mesmo para reconciliar com seu irmão. É certo que toda reconciliação passa pelo processo de superar o orgulho de cada um, entretanto, é salutar entender que a reconciliação somente se concretiza quando as vontades e desejos pessoais são subjugados, criando-se ambientes e novos comportamentos que sejam facilitadores do perdão, ajustando os encontros.

Noutro lado, compreenda bem que existem muitas tratativas de restauração e/ou reconciliação que são apenas atos pessoais bem intencionados, mas não se realizam plenamente. São chamados de perdão da “boca para fora”. Neste sentido existe muita gente bem intencionada que não consegue vencer meus medos, suas trevas e nem mesmo as barreiras que existem em seu coração. Optam por apenas sugerir mentalmente o perdão, quando na verdade o rancor e a raiva ainda ocupam sua mente e funcionam como obstáculos invisíveis, não permitindo que a reconciliação  ganhe espaço.

Lembre-se que Esaú havia prometido matar seu irmão, todavia, quando ambos se encontraram, foi o ofendido Esaú quem tomou a inciativa, ele correu e abraçou o ofensor Jacó (Gn 33.4). Ou seja, quando Deus projetou o perdão no coração de Jacó, o Espírito Santo atuou no coração de Esaú quebrando as barreiras do rancor e da raiva. Dessa verdadeira reconciliação restou evidente os frutos de um cuidando do outro, de um zelando pelo outro, de um se preocupando com o outro. Para quem nutria o medo e a raiva, entenda que os frutos da restauração se traduziram em parceria e amizade (Gn 33.12-15). Guarde isso!

Compreenda que vive-se hoje numa sociedade altamente competitiva, com muita gente enganando, cometendo fraudes e isso tem ocasionado como resultado as doenças da alma, as depressões, as ameaças e a tristeza. Todavia, entenda bem que a reconciliação horizontal é o antídoto eficaz, trazendo cura, alegrias e harmonia, promovendo relacionamentos que antes estavam mortos. Noutras palavras, somente a restauração de relacionamentos tem a capacidade de virar  as páginas da história e foi isso que aconteceu entre Esaú e Jacó.  Portanto, creia em recomeços e pratique as reconciliações horizontais, amém?

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

Ler 345 vezes Última modificação em Terça, 23 Março 2021 20:27
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