Segunda, 09 Agosto 2021 11:22

PREÇO

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PREÇO

“Cometi um grave pecado! Agora, ó Yahweh, perdoa este erro do teu servo, porque tomei uma atitude absolutamente insensata.” (2 Sm 24.10)

 

Segundo os historiadores os dois volumes de Samuel foram em parte escritos pelo próprio profeta Samuel e após sua morte outros trechos foram acrescentados pelos profetas Gade e Natã. Quando da tradução do Antigo Testamento da língua hebraica para o grego (Septuaginta) os rabinos tradutores compreenderam ser necessário dividir a narrativa em duas partes, ficando como está hoje em dia. Os dois livros narram a história do povo de Israel, a história e ações dos reinados de Saul e  Davi, além de outros eventos familiares envolvendo estes dois personagens.

Contextualizando a narrativa acima, veja que durante seu reinado, o rei Davi teve a ideia de contar quantos homens aptos para a guerra ele dispunha e mesmo persuadido por um de seus homens de confiança, a contagem acabou sendo realizada. Ao final do censo, o rei Davi viu o tamanho de seu erro e rapidamente confessou seu pecado a Deus, todavia,  embora perdoado, as consequências de sua desconfiança em relação a Deus foram sentidas em todo o seu reinado (2 Sm 24).

Com frequência se percebe que a palavra compromisso tem sido relegada a segundo, terceiro e até mesmo quarto item na relação de prioridades de muita gente. E isso em todos os cenários e ambientes. Poucos assumem um compromisso com a empresa onde trabalha, poucos são valor ao compromisso com as tarefas escolares e /ou universitárias e quando se fala de compromisso nas relações de amizades, ele praticamente não existe, tal quantidade de separações e abandono de amigos e colegas. Compromisso familiares ainda são vistos como os mais duradouros, mesmo assim, ainda se vê por aí muitos desencontros. Resumindo, o compromisso está meio que longe da vida de muita gente. Pasmem!

Veja que o rei Davi era grande comandante, bom rei, excelente defensor das causas de seu povo e nutria um ótimo relacionamento com Deus que, por sua vez, o direcionava em todas as suas ações. Deus era sempre consultado e suas instruções quando seguidas eram sinal de vitória, afinal, Deus não erra. Nessa relação o próprio Deus fez com Davi uma promessa, de que estabeleceria o trono de Davi para sempre e isso se concretizou em Jesus Cristo (Lc 1.31-32).

Mas atente que embora essa promessa e aliança fosse do conhecimento de Davi, considere que o homem é falho, imperfeito e sujeito a falhas. E foi numa brecha encontrada em seu coração que a vaidade falou alto e em bom tom, propiciando que Davi por um momento deixasse de confiar em Deus, deixasse de observar o compromisso que Deus tinha com ele e determinasse a contagem de seus homens de guerra. Ele deixou de confiar em Deus e entendeu que deveria confiar em sua inteligência e na força bruta dos homens de sua tropa de guerra. Num linguagem moderna, era como se Davi batesse com as mãos no seu próprio peito e dissesse: “eu só confio nos meus guerreiros!”

Essa confiança nos números e não em Deus trouxe efeitos para Israel (2 Sm 24.10). Mais adiante a narrativa diz que Deus enviou o profeta Natã e ordenou a Davi um sacrifício numa localidade fora de Jerusalém. Naquele lugar o dono das terras ofereceu gratuitamente seus animais para o holocausto, e sabiamente, Davi recusou: “Não oferecerei ao Senhor, sacrifício que não me custe nada” (2 Sm 24.24). Davi até que poderia receber os animais, mas estaria fazendo graça com o chapéu alheio e isso de nada adiantaria. Entenda: o valor da adoração é individual e não pode ser terceirizada. Reflita!

Transportando essa história para os dias atuais, entenda que um assunto essencial na fé cristã é o valor ou o preço das convicções de milhares de pessoas que assumem a fé em Cristo. Muito embora o próprio Jesus já tenha pago com sua vida por todos os homens, ainda hoje a ausência de compromisso, de comprometimento ou de pagar o preço no reino de Deus tem sido muito comum (1 Co 6.20; Ef 1.7). A salvação é por meio da graça de Deus, mas a caminhada cristã tem um preço e diferente da postura do rei Davi que renunciou a oferta do dono das terras, hoje poucos tem renunciado seu tempo para glorificar a Deus.

Considere que muitos homens e mulheres gastam tempo e recursos para prestigiar as equipes de futebol de suas preferências, para terem momentos de lazer, para terem um diploma na faculdade, para fazer viagens, etc, e na jornada cristã não existe adoração que não tenha um preço. Saiba que uma crença que não exige nada do homem não tem nenhum valor. Ter comprometimento com as coisas de Deus significa mais entrega, mais adoração, mais devoção, mais amor e mais tempo dedicado às causas do reino. O valor dos sacrifícios espirituais demonstram o amor do homem pelos cuidados de Deus a seu favor, portanto, pagar o preço, significa externar gratidão e ter uma comunhão e/ou relacionamento com mais intimidade com o Deus que cuida e zela por todos, amém? Um grande abraço.

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

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