Milton Marques de Oliveira

Milton Marques de Oliveira

Segunda, 27 Maio 2019 10:27

AMOR

AMOR

“E Jesus, olhando para ele, o amou..” (Mc 10.21) 

 

Marcos não foi discípulo de Jesus e segundo os historiadores, sua narrativa teve forte influência do discípulo Pedro, de quem foi ajudante nas viagens missionárias. Pouco ou quase nada se sabe sobre quem foi Marcos, mas há informações bem precisas que a casa para onde foi Pedro após se ver livre da prisão, registrada por Lucas em Atos dos Apóstolos, seria de sua mãe (At 12.12).  Outra informação diz que o anônimo enrolado em um lençol que estava nas proximidades da crucificação de Jesus teria sido o próprio Marcos, conforme seus próprios dizeres (Mc 14.51).

Marcos narrou sobre o encontro de Jesus com um jovem cujo nome não é mencionado, mas deixou sinais claros indicando algumas características sobre este rapaz. Era rico, tinha posses e bens que certamente o diferenciava dos outros rapazes de sua idade e, além disso, era alguém que conhecia bem os mandamentos de Deus, tanto que chegou a citar ao próprio Cristo sobre essa particularidade (Mc 10.20).

Algo muito observado nas pessoas de todas as classes sociais é o sentimento de repulsa quando suas vontades não são plenamente atendidas. Assim, muitas amizades, muitos relacionamentos de longas datas são desfeitos ou estremecidos quando uma das partes não atende ao desejo ou a vontade do outro. O incrível é que este sentimento de repulsa começa desde cedo nas crianças, encontra terreno fértil na mente dos adolescentes e se consolida nos adultos e perdura por longos dias.

Ao ser abordado pelo rapaz endinheirado indagando sobre como faria para herdar a vida eterna, Jesus rapidamente citou os mandamentos que tratam sobre o relacionamento do homem com o seu semelhante e nada disse sobre os deveres do homem para com Deus. De maneira também rápida, o jovem disse que já fazia isso há tempos, ou seja, no entendimento dele, a herança de vida eterna já estava bem encaminhada, pois, tudo o que Cristo lhe disse, ele já realizava há tempos.

Pelas palavras do rapaz ele era um ótimo guardião da lei mosaica, cumpria fielmente o que lhe era devido, mas disse Jesus:  “..vai vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me” (Mc 10.21). Bastou tão somente Jesus inserir mais um item na lista dos critérios para ganhar a vida eterna que ele se indispôs em fazer a vontade de Jesus.

Perceba que desde pequenas, as pessoas são moldadas a terem suas vontades atendidas, desde os desejos por doces e guloseimas até quando já maiores, na fase de adolescentes, se sentem indignadas quando itens de ponta das tecnologias como celulares, jogos e smartfones não lhe são dados. Atente que essas negativas trazem junto o perverso sentimento da repulsa, quando amigos, colegas e familiares se veem afastados do convívio devido seus desejos não serem comtemplados. Pense nisso!

Veja que aquele rapaz rico cuidava de cumprir sua parte nos mandamentos de Deus apenas respeitando o seu semelhante, todavia, quando instado por Jesus a dar de si, ele não quis perder suas posses (que eram muitas aos padrões daquela época) e justamente aqui, pode-se dizer sem sombras de dúvidas que ele contrariou um desejo ou uma vontade de Jesus.

O incrível é que embora ele não quisesse vender nada, compreenda que sua atitude não gerou em Cristo nenhum sentimento de repulsa. De forma contrária, “... Jesus, olhando para ele, o amou.” (Mc 10.21). Para muita gente hoje em dia, um gesto idêntico ao deste rapaz em contrariar um pedido, iria causar o afastamento, mas Jesus fez diferente. O rapaz deu as costas, saiu da presença de Jesus, se afastou e não entendeu as riquezas da vida eterna, deu mais valor aos seus bens do que ao filho de Deus a quem ele havia chamado de bom, mas mesmo assim Jesus o amou, aliás, o amou antes mesmo dele responder (Mc 10.22). Reflita aqui sobre o tamanho do amor de Deus sobre sua vida mesmo quando você se afasta!

Entenda, portanto, que o conceito de amor não pode ser mudado e nem sofrer repulsas ao sabor de nossas vontades e desejos não atendidos, mas deve seguir o padrão de Jesus que amou mesmo quando não foi compreendido. Você entende isso?

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

Segunda, 20 Maio 2019 18:28

PARÂMETROS

                                                        PARÂMETROS       

“Não que possamos reivindicar qualquer coisa com base em nossos próprios méritos, mas a nossa capacidade vem de Deus.” (2 Co 3.5)

 

Paulo foi o autor de duas cartas destinadas à comunidade cristã que estava situada na cidade de Corinto. Segundo os estudiosos, a diferença cronológica entre as duas cartas é de pouco menos de dois anos. Na primeira carta Paulo respondeu algumas perguntas que foram feitas sobre atitudes do cotidiano, casamento e alimentos (1 Co 7.1-17; 8.1-13) e na segunda carta, o apóstolo foi questionado quanto ao seu chamado ministerial e sua autoridade apostólica para anunciar a salvação pela graça de Deus.

O contexto da passagem acima está justamente numa abordagem que o apóstolo Paulo fez àqueles que questionavam sua qualificação para falar das coisas de Deus. Em apenas seis versículos, Paulo explica e deixa nítido que embora fosse capaz e até mesmo qualificado para fazer o que estava realizando, ele reconhecia que era Deus quem o sustentava ministerialmente.

Perceba que muitas pessoas sofrem com a conhecida síndrome da inferioridade. Em todos os setores da vida, essas pessoas convivem com um grande dilema, pois mesmo sendo capacitadas, inteligentes e qualificadas para muitas atividades, elas não conseguem exteriorizar seu conhecimento. Dizem que não estão no mesmo parâmetro das demais e, essa situação gera frustração consigo mesmas, cria as angústias da alma e acabam por afastá-las da vida em sociedade.

Veja que em decorrência desta onda de inferioridade que assola tantas pessoas, muita gente vislumbrou uma grande oportunidade para ganhar dinheiro, apenas escrevendo livros de autoajuda, ofertando palavras e frases de efeito, usando clichês e inserindo na mente dessas pessoas que elas são capazes, inteligentes e extremamente qualificadas em viver a vida conforme as circunstâncias vão se apresentando. Incrível, mas perceba que o problema de muitos se tornou a solução de outro tanto. Pense!

Paulo era um homem inteligente, esbanjava sabedoria e tinha sido aluno de um dos grandes mestres do judaísmo daquela época (At 22.3). Ele dominava tudo sobre a lei mosaica e ao ser questionado sobre seu conhecimento teológico pelos homens da comunidade de Corinto, poderia muito bem responder que ele era capacitado, autossuficiente para não só ensinar, como também para falar sobre Jesus Cristo. Afinal de contas, pode-se crer que Paulo tivesse mérito para reivindicar para si o conhecimento sobre as profecias messiânicas que apontavam para Jesus. Noutras palavras, embora tivesse muito conhecimento, de forma sensata, ele afirmou que era Deus quem potencializava suas palavras. Diferente de muita gente, ele teve a sensatez de apontar para Deus a origem de sua ousadia (Rm 11.36). Reflita isso!

Traga essa situação para os dias atuais e olhe quantas pessoas com conhecimento bastante para anunciar o amor e a graça de Deus, quantas pessoas qualificadas que estão por aí se sentindo incapazes de exercer o chamado que Deus colocou em seus corações, justamente por se acharem inferiores? Muitos até dizem que Deus usa esse ou aquele, e quando questionadas por estarem apáticas, apenas alegam não estarem em condições de serem usadas, pois há outros mais talentosos que podem ser empregados no reino de Deus.

Volte sua mente para o chamado do profeta Jeremias, convocado por Deus para falar ao povo de Judá, quando Jeremias sentiu que não era qualificado (Jr 1.7). Moisés também se viu incapaz (Ex 3.11). Deus chamou Isaías e ele alegou ser um homem de lábios impuros(Is 6.5) e até o discípulo Pedro quando estava na presença de Cristo, pediu que o Mestre se afastasse dele, pois não era digno de estar perto de Cristo (Lc 5.8). Todos se sentiram desqualificados e fora dos parâmetros, se viram como inferiores à grandeza do chamado, todavia, nenhum deles fugiu da responsabilidade e todos eles deixaram um legado de fé e excelência na missão que Deus havia proposto.

Saiba que Deus olha para o mundo e não vê as pessoas pelo status, nível social ou qualificações intelectuais (1 Co 1.27). Atente que Cristo poderia muito bem ter chamado para seus discípulos os príncipes judaicos, os rabinos ou mesmo alguns dos principais dos sacerdotes. Mas contrário a este entendimento, ele chamou pessoas iletradas, teoricamente inferiores quando comparados com os intelectuais da época. Resumindo: Ele chamou pessoas dispostas a cumprirem o seu propósito com excelência, pessoas fora dos parâmetros do mundo. Reflita sobre disposição!

Compreenda bem que Deus é aquele que não só qualifica as pessoas como potencializa suas capacidades para que se tornem aquilo que ELE espera delas. O Pai nunca usou as qualidades humanas como parâmetros para fazer cumprir seus propósitos. Entenda: para cumprir o chamado de Deus, basta tão somente possuir ânimo, disposição e um coração que pulse os propósitos do reino. Creia nisso!

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

Segunda, 13 Maio 2019 13:45

RETRATO

RETRATO

“O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração.” (Lc 6.45)

 

Lucas foi um dos homens mais próximos do apóstolo Paulo, principalmente quando acompanhou e registrou os principais eventos da viagem missionária. Em seu evangelho, Lucas apresenta Jesus como o Deus de toda misericórdia e bondade, notadamente quando enfatiza o amor de Cristo pelas pessoas doentes, abatidas e maltratadas. Segundo os estudiosos, sua formação era a medicina e isso fica evidente em seu evangelho quando ele relata com riqueza de detalhes as curas e milagres.

A passagem acima foi pronunciada por Jesus e encontra-se no bloco das denominadas boas aventuranças, quando Cristo reuniu seus discípulos e passou a ensiná-los. Embora Lucas não tenha estado presente nessa ocasião, certamente que ele fez este registro conforme testemunhos dos próprios discípulos (Lc 1.3; 6.20-49)

Por vezes se comenta que determinada pessoa é boa de conversa ou boa de prosa. Indiferente de essa mesma pessoa ser um intelectual ou não, essa particularidade é evidenciada porque ela tem uma conversa agradável e consegue cativar adultos e crianças. Noutro extremo, se fala também daquelas pessoas azedas que quando abrem a boca, nada se aproveita tal a quantidade de palavras ofensivas e desagradáveis. Típica pessoa ácida. Pense!

Quando Jesus agrupou seus discípulos para ensiná-los, o Mestre visava antes de tudo mostrar que eles deveriam atentar para o coração, ou seja, antes de abrirem a boca, era necessário verificar do que a mente deles estava cheia. Isso era importante para que eles se tornassem homens com a mente vazia de todo tipo de maldades e colaborassem com Cristo na mudança das crenças e tradições do povo.

Por vezes pessoas simpáticas, bem vestidas e apresentáveis causam sérios embaraços quando abrem a boca. Com o coração cheio de rancores, raiva e orgulhosas ao extremo, essas pessoas cultivam em suas mentes todo tipo de malícia. E ao darem voz a essas maledicências, suas palavras se apresentam como o retrato fiel de seu coração. Entenda, portanto, sobre o cuidado necessário com aquilo que se fala. As palavras podem ser comparadas a sementes, que podem gerar vidas e noutras situações, podem gerar morte. Perceba a importância de não falar de si mesmo e nem falar dos outros, mas em cada oportunidade de se expressar, falar do amor de Deus ás pessoas é o mais claro sinal de sabedoria. Lembre-se que Deus constituiu a língua para seu louvor, para abençoar pessoas e não para amaldiçoar (Sl 145.21). Reflita isso!

Cristo tinha muita preocupação com seus ensinamentos e ao deixar registrado sobre o tesouro guardado no coração, ele enfatizava a necessidade das pessoas terem o coração puro, sem mágoa e sem rancores, de maneira que essa pureza na mente fosse exteriorizada por meio de palavras agradáveis e justas. Cristo ensinava que fazer parte do reino de Deus incluía não só as práticas da justiça, mas acima de tudo refletir os valores e princípios deste mesmo reino.

Transporte essa situação para os dias atuais e perceba que grande parte das desavenças nos relacionamentos pessoais parte de um coração azedo, amargurado e que por sua vez retrata, como um espelho, pessoas vazias em amor e compaixão. Isso fica evidenciado quando muita gente até demonstra ser agradável e solícita, todavia, com o coração cheio de malícia, rapidamente demonstrará quem é na realidade. É simplesmente uma questão de tempo para o coração liberar palavras de amargura e ira.

Neste contexto, compreenda não ser possível extrair bons frutos de uma árvore ruim e da mesma maneira não é possível tirar frutos ruins de uma árvore boa. A árvore boa produzirá excelentes frutos, ou seja, boas palavras são extraídas de um coração generoso e bom. Atente que péssimas atitudes não surgem como resultado de forças externas, mas grande parte das vezes elas estavam escondidas nos pensamentos e nos compartimentos secretos do coração e daí para serem exteriorizadas, é apenas uma questão de tempo (Jr 17.9).

Portanto, cuide hoje e sempre, de valorizar e cultivar bons tesouros em seu coração, afinal, Salomão já dizia que sobre tudo o que se deve guardar, a guarda do coração é muito importante (Pv 4.23). Lembre-se que as palavras são o retrato fiel de um coração bom ou mau. Creia nisso!

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, hoje e sempre.

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

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