Milton Marques de Oliveira

Milton Marques de Oliveira

Segunda, 07 Janeiro 2019 14:59

RECORDAÇÕES

RECORDAÇÕES

“Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este evangelho for pregado, também o que ela fez será contado para sua memória”. (Mc 14.9)

 

Marcos não foi discípulo de Jesus e escreveu seu evangelho apresentando Jesus como servo, aquele que veio para servir. Também identificado como João Marcos, (membro de uma família que já seguia os passos de Jesus e que morava em Jerusalém) ele foi ajudante de Paulo, Barnabé e Pedro, aliás, de quem certamente obteve muitas informações que basearam sua narrativa (At. 12.12). Existem poucas informações sobre a pessoa de Marcos, mas segundo os estudiosos o anônimo enrolado em um lençol que estava nas proximidades da crucificação de Jesus teria sido o próprio Marcos (Mc 14.51).

Com raras exceções, saiba que as pessoas gostam de serem lembradas do que fizeram ou do que deixaram de fazer. E quando essas lembranças caem no gosto popular pelo lado positivo, sobressai o orgulho, afinal de contas ele ou ela está sendo lembrado por uma ótima participação, e essa recordação positiva provoca uma sensação de bem estar, traz alegrias e honra. O contrário disso também é verdadeiro, causa constrangimento quando as recordações são provocadas pelas realizações ruins, negativas ou impróprias.

Jesus foi abordado por uma mulher de nome Maria, a mesma que teve a alegria de ver seu irmão Lázaro ressuscitado. Jesus estava assentado e a narrativa diz que ela derramou sobre ele um perfume muito caro pelos padrões daquela época. Sua atitude era um sinal de adoração, de reconhecimento e de honra. Jesus recebeu aquela adoração, mas os discípulos que estavam acompanhando o Mestre se indignaram e não perderam a oportunidade de comentar que Maria poderia ter dado outro destino ao perfume (Mc 14.4-5).

Entenda bem que Maria procurou por Jesus e pode-se acreditar que ela estava alegre e bem disposta. Pode-se conjeturar ainda que ela tenha gastado toda sua economia para adquirir o perfume e isso inclusive também foi alvo das críticas dos discípulos, que diziam que Maria poderia vender o perfume e dar o dinheiro aos pobres.

Atente que muitas pessoas procuram por Cristo quando enfrentam grandes tragédias familiares, quando são vítimas de injustiça, quando precisam de milagres ou quando nada mais dá certo em sua vida. Provavelmente que Maria não passava por nenhuma dessas situações, ela estava extremamente satisfeita, aliás, dias antes ela havia presenciado a ressurreição de seu irmão Lázaro, justamente aquele que já estava no sepulcro e ao chamado de voz de Cristo, saiu do túmulo. Resumindo, Maria não chegou pedindo nada, não chegou murmurando, nem reclamando, ela chegou ali simplesmente para adorar. Numa frase bem popular, era a fome com a vontade de comer. Pense!

Traga esse episódio para nossos dias e veja a grande semelhança de muita gente com os discípulos que fizeram comentários maldosos contra Maria. Hoje, muitos chegam às igrejas com pensamento de consumidor, se portam como clientes de lojas de departamentos, olhando tudo ao redor e chamando a atenção das pessoas pelos comentários e julgamentos que fazem sem nenhum rodeio. Ou seja, em vez de dedicarem seus tempos para adorar Cristo, essas pessoas fazem as mesmas coisas que os discípulos fizeram e pior, perversamente seus comentários influenciam e contaminam outras pessoas a terem o mesmo procedimento. Isso te faz lembrar alguma coisa recente?

Perceba que ao final, Jesus não só recebeu a adoração, como fez questão de afirmar que Maria seria lembrada no futuro pela sua atitude (Mc 14.9). O ato daquela mulher em adorar, em ofertar a Cristo o que ela tinha de melhor, pode ser visto como gratidão ao analisar a pergunta do salmista sobre o que ele daria a Deus por todos os benefícios que o Senhor tinha lhe ofertado (Sl 116.12).

Uma frase secular diz que a flecha que sai do arco, a palavra dita e a oportunidade perdida não voltam atrás. É neste contexto que Maria não perdeu a oportunidade de adorar, glorificar e exaltar o Mestre e de forma contrária, os discípulos perderam a excelente oportunidade de ficarem calados diante da manifestação daquela mulher. Maria será lembrada pela sua adoração e os discípulos serão lembrados pelos comentários extremamente inoportunos. Perceba as diferenças de recordações e reflita nisso!

Neste contexto, não esqueça que decisões e escolhas tomadas no dia de hoje certamente serão lembradas por outras pessoas amanhã, portanto, adore a Deus com excelência e caso não possa adorar, não critique quem adora, permaneça calado. Guarde isso no seu coração!

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

Segunda, 31 Dezembro 2018 11:51

DESEJOS

DESEJOS

“E aconteceu que um homem, aleijado de nascença, estava sendo carregado para um dos portões do templo, chamado Portão Formoso. Todos os dias o colocavam ali para pedir esmolas aos que entravam no templo.” (At 3.2)

 

Lucas foi o autor de Atos, além de escrever também o terceiro evangelho de mesmo nome. Lucas fez sua narrativa fundamentada em testemunhos de quem presenciou os fatos, colhendo informações de fontes confiáveis, além de estar presente em diversos eventos, acompanhando as viagens missionárias. Embora no livro de Atos apareçam nomes de diversos personagens, o livro é um grande resumo da história de dois ícones da igreja primitiva: Pedro e Paulo.

O versículo acima está contextualizado no milagre sobrenatural de um homem aleijado, que foi curado por Jesus após ter um encontro com os apóstolos Pedro e João (At 3.1-10).

Perceba a naturalidade com que algumas pessoas passam anos a fio enfrentando situações catastróficas e se familiarizam com tal intensidade com as circunstâncias que nem se tocam sobre a possibilidade de mudança. Algumas por não vislumbrarem transformações em curto prazo e outras por não acreditarem que o processo atual possa ter solução. Saiba que acostumar-se com situações ruins, pode criar a perversidade de não mais desejar outra coisa. Cria-se e consolida a mesmice. Pense!

Lucas narra que havia um homem aleijado que todos os dias era colocado à porta do templo para ganhar um dinheiro. Permanecia sempre no mesmo lugar, provavelmente chegava e era retirado nos mesmos horários, ou seja, estava muito bem acostumado com sua rotina. Certamente que o aleijado tinha o firme desejo de ganhar umas moedas, e quem dava as moedas, apenas contribuía para consolidar esse desejo. Era um ciclo pernicioso que começava e terminava em simplesmente ganhar as moedas.

Entenda que por vezes as pessoas se acomodam tanto com a situação reinante em sua vida que simples processos de mudanças se tornam algo colossal. Veja que a familiaridade com sua situação física fez este homem passar anos desejando apenas ganhar moedas e da mesma maneira, pode-se imaginar que os amigos que o carregavam também já tinham se acostumado em transportá-lo da casa para a porta do templo e vice versa. Noutro giro, João e Pedro haviam acabado de sair do pentecostes, tinham sido cheios do poder de Deus, viram pessoas serem batizadas pelo fogo do Espírito Santo, e logicamente tinham vivido e presenciado o forte mover e a presença de Deus. Mas não se acomodaram com o que tinham visto. Eles poderiam ter saído do pentecostes e ido para casa descansar, mas eles tinham necessidade e queriam mais de Deus e foram direto para o templo, e com um detalhe: na hora da oração. Noutras palavras, eles viveram o desejo de serem cheios do Espírito Santo e ao irem para o templo, demonstraram a necessidade de receberem mais de Deus, ou seja, existem pessoas que depois de viverem algo sobrenatural na presença de Deus, não voltam a buscar mais de Deus, se acomodam, mas João e Pedro fizeram diferentes. Foram cheios no pentecostes e não se conformaram, foram buscar mais de Deus. Reflita!

Compreenda que os conceitos de desejo e necessidade podem estar muito distante um do outro. Veja que desejos são carências por satisfações específicas, momentâneas, enquanto necessidade está relacionado a privação de alguma satisfação básica. O coxo tinha o desejo específico de ganhar moedas, mas sua necessidade era andar, ser curado, ter uma vida como todo mundo. Pense nisso!

Na porta do templo, todos davam ao coxo o que ele desejava, mas ninguém olhava para sua real necessidade que era caminhar e não depender mais de seus amigos. Quando encontrou João e Pedro, certamente que ele alimentava o desejo de ganhar umas moedas, mas os dois lhe deram muito mais. Os dois apóstolos tiveram a exata compreensão de ver qual era a necessidade dele. “Levanta e anda..” (At 3.6), foi uma ordem direta e não ficou nisso, Pedro lhe deu as mãos para o erguer. Aguardou que seus pés se firmassem e somente depois o soltou. Cheio da virtude do Espírito Santo, Pedro viu qual era a necessidade daquele homem. Lembre-se: ninguém dá o que não tem, somente se libera aquilo que tem no coração. Reflita isso!

Pode-se afirmar com muita certeza que durante todos os anos que o aleijado ficou pedindo esmolas, muitos tenham passado por ele e até deram umas moedinhas e isso era o desejo dele. Mas, entenda aqui que Pedro e João não viram o desejo dele em ganhar moedas, mas compreenderam que a necessidade daquele homem era muito mais importante que o desejo. Ele precisava ser curado! Portanto, não se esqueça em priorizar as necessidades das pessoas, elas são muito mais importantes que os desejos. Você entende isso?

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

Segunda, 24 Dezembro 2018 22:19

CONSEQUÊNCIAS

CONSEQUÊNCIAS

 

“Lembra-te, pois, da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: Vós transgredireis, e eu vos espalharei entre os povos.” (Ne 1.8)

 

O livro de Neemias, escrito pelo autor de mesmo nome é uma narrativa do período pós-exílio do povo judaico. Provavelmente foi escrito nos ido de 430 AC, quando os muros de Jerusalém ainda estavam jogados ao chão após o ataque das tropas do rei Nabucodonosor. O livro traz a história da reconstrução dos muros, os obstáculos desta empreitada e também um grande avivamento do povo quando o sacerdote Esdras passou a ensinar os mandamentos de Deus em praça pública (Ne 8.1).

A passagem acima está no bloco de versículos em que Neemias após ser informado, foi tocado por Deus para sair da Babilônia e voltar à sua terra com a finalidade de reconstruir os muros que protegiam a cidade (Ne 1.1-10).

O homem possui muitas capacidades, desde as habilidades manuais até mesmo àquelas de cunho intelectual, e dentre essas capacidades, está a de fazer escolhas e tomar decisões. Saiba que o homem aprende passando por situações e experiências, e isso se torna evidente quando algumas escolhas que não foram legais no passado não se repetem mais. Ele aprendeu por meio da experiência adquirida. Pense!

Veja que Jerusalém, outrora uma cidade que recebia tantas pessoas, outrora uma cidade que era o centro religioso do mundo de então, estava arruinada e sem vida. Sem a imponência do templo e sem muros para proteger a cidade, pode-se imaginar que era uma cidade fantasma com poucos habitantes. Tudo isso era justamente os efeitos, ou as consequências de suas ações no passado, que causara tanta dor e desgosto ao povo. Certamente foi este o motivo do lamento de Neemias e de ainda ter caído aos prantos quando para piorar o cenário, soube que seus compatriotas estavam vivendo em miséria e passavam por grande desprezo (Ne 1.3).

Perceba que diariamente o homem toma decisões, escolhe o que alimentar, que roupa vestir, para onde ir e inúmeras outras escolhas. E muitas destas escolhas trazem impactos, ora grandes e ora imperceptíveis, mas o certo é que a todo o momento as pessoas fazem escolhas e tomam decisões que irão influenciar o seu futuro.

Neste contexto, entenda ainda que as pessoas escolhem entre o bem e o mal, entre a vida e a morte, entre as trevas e a luz e obviamente, entre buscar a Deus e não buscar a Deus. São as escolhas do tempo presente que definem e refletem o resultado no futuro, ou seja, aquilo que se planta, é o que será colhido, já ensinava o apóstolo Paulo (Gl 6.8). Incrível, mas existem aquelas pessoas que fazem escolhas equivocadas e chegam a dizer que nada podem fazer, pois “Deus as fez assim mesmo”, ledo engano! Deus nos fez com ótimas capacidades de tomar decisões. Não se esqueça disso!

Por meio da narrativa de Neemias, por que a gloriosa cidade de Jerusalém estava naquelas condições? Seus muros não protegiam mais e estavam caídos, seus portões queimados e jogados ao chão eram o caminho aberto para quem quisesse entrar e sair da cidade, e finalmente o imponente templo não existia mais e seus habitantes, outrora felizes e de bem com Deus, estavam envergonhados e vivendo miseravelmente. A resposta é muito óbvia, Jerusalém estava passando pelas consequências de suas escolhas no passado, quando persistiu na rebeldia e no pecado da idolatria (Jr 25). Reflita nisso!

Deus criou leis muito certas na natureza e na física existe uma norma que diz que toda ação provoca uma reação, ou seja, os efeitos do presente possuem uma causa bem definida no passado. Ação e reação. Atente que por vezes algumas pessoas vivem momentos de extrema alegria e felicidades, enquanto outras passam por problemas angustiantes, mas creia que grande parte das vezes, as pessoas estão vivenciando os efeitos de escolhas decididas lá trás. Os habitantes de Jerusalém viveram algo assim, durante longos anos tomaram decisões erradas, deixando os mandamentos de Deus, praticando toda sorte de idolatria e lembre-se que muitos profetas foram mortos e desprezados justamente por alertarem sobre o perigo deste afastamento. Idêntica situação acontece nos dias atuais, quando a verdade é anunciada a todos, mas infelizmente tem sido relativizada, isso quando não é descartada sob o argumento de ser arcaica e retrógrada. Reflita!

Entenda, hoje e sempre, que o homem é sim responsável por suas escolhas, por suas decisões e que irá sim, vivenciar os efeitos no futuro daquilo que foi decidido no passado em todos os aspectos de sua vida, quer espiritual e quer material. Portanto, use de sua capacidade para aprender sobre causas e efeitos. Pense nisso, amém?

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

PUBLICIDADE