Milton Marques de Oliveira

Milton Marques de Oliveira

Segunda, 20 Agosto 2018 23:41

SILÊNCIO

SILÊNCIO

“Entretanto, o anjo lhe assegurou: Não tenhas medo, Zacarias; eis que a tua súplica foi ouvida. Isabel, tua esposa, te dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de João.” (Lc 1.13).

 

Lucas, amigo de Paulo foi quem escreveu este evangelho e o livro de Atos. Certamente que ele esteve com os discípulos de Jesus coletando informações, pois sua narrativa é rica em detalhes sobre o ministério de Cristo, principalmente quando menciona toda a compaixão do Mestre pelas pessoas e registra os milagres de Jesus (Lc 1.3).

Acima tem-se o versículo que está no bloco da narrativa do anúncio do nascimento de João, o batista. O sacerdote Zacarias oficiava no templo quando recebeu a visita de um anjo, que lhe disse que a oração dele tinha sido foi ouvida e que ele, Zacarias, seria pai de um menino, cujo nome seria João. Espantado com a notícia recebida, Zacarias questionou que tanto ele como Isabel, sua mulher, já eram velhos, portanto, incapazes de gerar um filho (Lc 1.18).

O cristão ora, faz súplicas, clama por bênçãos, por milagres e pela bondade de Deus todos os dias. Nestas orações é quase certo em sua totalidade que ele pede por alguma coisa. Pede para ser curado de uma enfermidade, para ter sabedoria, para ser contratado por uma empresa, pela aprovação em algum concurso, pelo casamento que se aproxima e até mesmo pelo vizinho que está passando por dificuldades. Enfim, o que não falta é pedido e depois de tantos pedidos, ele nem se lembra do que pleiteou. Pense!

Pela cultura judaica, pode-se conjeturar que muito provavelmente Zacarias casou-se cedo com Isabel e vindo de uma família de sacerdotes, passou a oficiar no templo conforme uma escala que teve sua origem muitos anos atrás, nos tempos do rei Davi (1 Cr 24.10). Pode-se imaginar também que passado algum tempo de casado e como Isabel não engravidava, Zacarias tenha orado a Deus, clamando por uma criança que alegrasse seu casamento. “Eis que a tua súplica foi ouvida”, foram os dizeres iniciais do anjo Gabriel que lhe apareceu no templo. Isso conduz ao entendimento que Zacarias tenha orado no passado com essa finalidade.

Saiba que existem tecnologias no comércio de vendas on line que ao clique de um botão, a pessoa escolhe o produto, realiza a compra, faz o pagamento e instantes depois o produto já está a caminho do comprador. Uma logística muito eficiente. Noutro lado, existem pessoas que oram a Deus e já ficam na expectativa de serem atendidos rapidamente. Criou-se na mente do cristão que a oração foi encaminhada, ouvida e que Deus vai atender o quanto antes, aliás, vive-se nos dias atuais o pensamento que tudo deve acontecer rapidamente, inclusive as resposta de Deus para a vida do crente. Ou seja, existem pessoas que possuem o imediatismo como princípio de vida. Reflita sobre o silêncio de Deus!

Não se sabe por quanto tempo Zacarias orou a Deus para ser pai. Para Izabel, o fato de não gerar filhos era um complicador. Ser mãe era uma questão de honra e sem filhos ela tinha muitos motivos de sentir vergonha. Pode-se imaginar o que ela passava com seus familiares e amigas que já tinham filhos. Para o sacerdote Zacarias da linhagem sacerdotal, um filho era o sinal de continuidade no ofício. Tanto para ele quanto para ela havia a necessidade de uma criança no casamento, ou seja, eles conviviam com uma grande ansiedade imposta pela sociedade.

Saiba que Deus ouviu sim, a oração de Zacarias e talvez ele tenha orado por centenas de vezes fazendo o mesmo pedido. E veja que durante todo este tempo, Deus fez silêncio sobre a súplica de Zacarias e não deu nenhum sinal de que ele seria atendido. O incrível foi que ao ser informado pelo anjo que seria pai de um filho, Zacarias cedeu a lógica humana: ele apresentou sua velhice e a esterilidade de Isabel como obstáculos à vontade de Deus. Ele tinha orado, Deus silenciou e quando Deus concedeu a benção, Zacarias não acreditou. Infelizmente ele enxergou só os problemas e por instantes chegou mesmo a desconfiar tanto da benção como do Deus a quem servia!

Lembre-se que durante todo o tempo que Deus silenciou, não há registros que Zacarias reclamou, brigou ou deixou de realizar suas atividades, tanto no templo como sacerdote quanto fora dele. Aprenda, portanto, que mesmo debaixo de circunstâncias desfavoráveis ele continuou fiel ao Pai. Resumindo, aprenda a esperar e continue servindo a Deus, amém?

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

Segunda, 13 Agosto 2018 18:02

FRACASSO

FRACASSO

“Então Jesus orientou-os: Lançai a rede do lado direito do barco e encontrareis” (Jo 21.6)

 

O contexto deste versículo está na aparição de Jesus a sete discípulos que pescavam no mar de Tiberíades, depois da crucificação, morte e ressureição de Cristo. Fisicamente, Cristo não estava mais com eles e pode-se conjeturar que aqueles homens teriam perdido a visão do Mestre, quando retornaram às atividades de outrora (Jo 21.1-11).

Percebe-se nos dias atuais certo comodismo das pessoas em permanecerem numa situação que não lhes traz resultados satisfatórios. Comum às pessoas entrarem num processo de intensa angústia e até mesmo num quadro de profunda depressão, tudo por não entenderem que o momento que estão vivendo exige mudança, e mudança o quanto antes. A realidade mostra que essas pessoas até reconhecem o seu sofrimento, sabem a causa e origem de tudo, mas vão minando suas energias e não saem do lugar. Noutras palavras, elas não evoluem e nem progridem. Pense nisso!

Os discípulos estavam pescando no Mar de Tiberíades, ambiente que eles conheciam bem, talvez tivessem crescido nas imediações, seus pais viveram sempre por ali, e pode-se até conjeturar que eles tinham experiências de pesca mais que suficiente para a pescaria ser um sucesso. Não havia como dar errado, todos eles dominavam o negócio.

Durante o tempo em que estes discípulos estiveram acompanhando Cristo, certamente que eles presenciaram muitos milagres, muitas curas, viram pessoas serem transformadas e agora, como num passe de mágica, tudo havia desaparecido. Tinham vivido experiências sobrenaturais inclusive eles próprios saíram para operar sinais e maravilhas, mediante o poder e virtude que Cristo lhes concedera (Lc 9.6-10).

Veja que nem sempre as pessoas querem mudar. Paira na mente delas, um pensamento dominante, uma crença arraigada que mesmo não conseguindo atingir seus objetivos, quer sejam materiais ou espirituais, a modificação não vai dar certo, e assim é melhor permanecer do jeito que está. Parece haver uma barreira que bloqueia a mente humana em operacionalizar a transformação e é justamente neste ponto que o corpo padece, emitindo sinais de cansaço, angústia, tristeza e outros sintomas tão comentados e observados nos dias atuais. Reflita isso!

Durante aquela noite, os sete discípulos tentaram pescar e não pegaram nada. Mesmo com toda sabedoria e experiência, eles fracassaram. Talvez quando Pedro disse que ia pescar, eles tinham alimentado boas expectativas, mas deu tudo errado. Comparativamente é isso que acontece com muitas pessoas hoje em dia. São experientes naquilo que executam, conhecem o ambiente que atuam, estão confiantes em suas capacidades e qualificações, mas nada está dando certo e vem o fracasso. Sua empresa, outrora muito bem financeiramente, agora está à beira da falência. Sua família, outrora muito bem estruturada, agora parece estar enfrentando um tsumani e sua vida espiritual passa por um momento tenebroso. Se havia prazer nas orações, agora não mais, se meditava na Palavra, agora não tem tempo e se tinha prazer em louvar, agora vive mudo. É o fracasso em sua plenitude. Reflita seriamente sobre isso na sua vida!

Perceba que Jesus aparece naquele cenário e a simples presença de Cristo já mudou o ambiente. Se antes eles tomavam as decisões por si mesmo, agora Cristo se apresenta e passa a coordenar a vida daqueles homens. Cristo passa a ditar as regras e isso é o primeiro sinal de mudança na vida deles: deixar que Cristo tome as decisões! Lembre-se que Cristo tem o poder de trazer transformações e de promover alterações em todas as áreas e acima de tudo, quebrar paradigmas, crenças pessoais e vencer o medo.

“Lançai a rede do lado direito do barco”, ordem de Cristo! Noutras palavras, era como se Cristo falasse aos experientes pescadores: “muda de lado que agora vai dar certo. Muda de lado, porque vocês estão focando no lado errado. Muda de lado porque vocês fracassaram”. Eram pescadores experientes e poderiam até mesmo questionar a ordem, mas compreenda bem que estavam vivenciando um fracasso. Era necessário mudar, quebrar velhas crenças, ideias concebidas e enraizadas por longos tempos. E deu certo!

Entenda que os discípulos aceitaram mudar por proposta de um homem que até então eles não sabiam que era Cristo. Só depois do sucesso na pescaria foi que eles viram que se tratava do Mestre e esse milagre foi motivo de alegria entre eles (Jo 21.6-7). Entenda bem que para terem sucesso naquilo que eles realizavam, foi necessário duas coisas, aceitar a mudança e executar a ordem. Não perguntaram, não questionaram, apenas tiveram a humildade de aceitar a proposta e coragem para executar. Compreenda bem que medo, insegurança e crenças pessoais não podem te imobilizar no seu fracasso. Só vive o novo de Deus quem se dispõe a mudar. Creia nisso!

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

Milton Marques de Oliveira - Pr

Segunda, 06 Agosto 2018 19:14

VERGONHA

VERGONHA

Entretanto, ao clarear da manhã, estava Jesus na praia; mas os discípulos não perceberam que era Ele” (Jo 21.4)

 

Passagem extraída do Evangelho Segundo João, discípulo esse que esteve muito próximo de Jesus durante todo o seu ministério, aliás, era tão próximo que coube a esse discípulo receber do próprio Cristo a recomendação de cuidar de Maria, após sua crucificação (Jo 19.25-27). O Evangelho Segundo João registra de maneira muito particular a divindade de Jesus, mostrando verdades profundas sobre o seu poder e a sua glória.

O versículo acima está dentro dos dias após a crucificação e morte de Jesus, quando alguns discípulos, ainda atordoados com a perca física de Cristo, tomaram a decisão de pescarem no mar de Tiberíades. Aqui se pode conjeturar que eles perderam a visão que haviam recebido do Mestre quando retornaram às atividades de outrora, ou seja, voltaram a pescar peixes (Jo 21.1-11). Pense!

Se existe algo que traz incômodo às pessoas, certamente que é a falta de memória. Esquecer nomes, datas, fisionomias de amigos e até endereços é quase sempre preocupante. Com o advento de muitas inovações, essa demanda pode ser resolvida com o emprego de tecnologias que rapidamente mostram nomes, datas e outras informações. É mesmo um grande achado contra o esquecimento.

Sete homens estavam pescando, estavam retornando às atividades que faziam antes de serem chamados por Jesus (Jo 21.5). Sem entrar no mérito da pescaria, se oportuna ou não, em determinado momento é o próprio Cristo ressuscitado quem aparece na praia, bem próximo deles (Jo 21.8). Dali, o Mestre trava um diálogo com eles, mas por incrível que possa parecer, mesmo sendo manhã com dia claro, aqueles homens não reconheceram Jesus fisicamente.

Conforme as circunstâncias, a falta de memória pode trazer vergonha e sérios embaraços. Desde o caso de não se lembrar do nome daquele amigo de longa data até aquela situação de não se lembrar do próprio endereço. A medicina afirma que todas as pessoas podem, eventualmente, ver sua memória falhar em algum tempo da vida e isso, logicamente, não irá trazer grandes aborrecimentos. Mas há casos em que a falta de memória pode causar sérios transtornos.

Atente que os discípulos até então não tinham percebido que era Jesus quem chamava por eles, todavia, acabaram por obedecer-lhe e mudaram o lado de lançamento da rede, logrando pescar muitos peixes. Somente depois deste milagre é que o discípulo João, reconheceu que se tratava de Jesus e a partir daí, começou uma grande festa, com Pedro se lançando ao mar e Cristo oferecendo a eles um jantar (Jo 21.12). Depois de tudo isso, pode-se imaginar que ficou no ar uma sensação de vergonha, afinal haviam passado mais de três anos juntos e naquela oportunidade eles não reconheceram Cristo. Aliás, certa feita eles o confundiram com um fantasma (Mt 14.26). Incrível mas o reconhecimento somente aconteceu após o milagre. Reflita isso!

Entenda que essa falta de memória dos discípulos ilustra uma situação muito comum nos dias de hoje. Durante três anos, aqueles homens estiveram com Cristo praticamente todos os dias e não havia nenhuma razão para esquecer a fisionomia do Mestre tão rapidamente. Isso é o que acontece atualmente. As pessoas já vivenciaram o poder transformador de Jesus, sabem de sua autoridade, vivenciaram situações onde a presença do Espírito de Deus era real em sua vida, mas basta um momento qualquer ou  uma circunstância externa para esquecer àquele que tanto fez, tanto amou e tanto dedicou. É vergonhoso e constrangedor a ingratidão e a falta de memória que atinge tanta gente. Muitos foram abençoados, receberam milagres, foram contemplados com a bondade de Deus, mas chegou um momento em que a falta de memória falou mais alto e Jesus foi simplesmente esquecido. Reflita isso na sua vida!

Compreenda que foi necessário que Jesus fizesse um milagre para aqueles sete homens se lembrarem dele, quando o ideal era que reconhecessem o Mestre antes que o milagre se realizasse (Jo 21.6). Hoje, lamentavelmente, parece que muitos passaram uma borracha em suas memórias e apagaram as grandes realizações que Cristo realizou em suas vidas ou precisam vivenciar um milagre para crerem. Percebe-se que as pessoas esquecem com muita facilidade do que Jesus já fez, esquecem facilmente dos livramentos e do recebimento de tantas outras bênçãos. Lembre-se, traga sempre em sua memória aquele te ama e reconheça Cristo antes mesmo dos milagres e bênçãos em sua vida. Não passe vergonha, amém?

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

 

 

 

 

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