Milton Marques de Oliveira

Milton Marques de Oliveira

Segunda, 21 Janeiro 2019 12:59

VAIDADES

VAIDADES

“Por que para Deus nada é impossível” (Lc 1.37)

Lucas não foi discípulo de Jesus e seu evangelho retrata com muita riqueza de detalhes a misericórdia e a compaixão de Cristo pelas pessoas. Lucas apresenta Jesus como o Filho do Homem e enfatiza a humanidade daquele que sendo Deus, veio para buscar e salvar o homem (Lc 19.10). Interessante que Lucas não é mencionado nos outros três evangelhos, apenas Paulo faz citação a seu nome na carta aos Colossenses (Cl 4.14). Sabe-se que ele tinha por formação a medicina e pode-se afirmar também que era um homem com boa cultura e excelente habilidade como pesquisador e historiador. Lucas escreveu ainda o livro de Atos dos Apóstolos, ocasião em que se uniu ao apóstolo Paulo a partir da segunda viagem missionária (At 16.8-10).

O versículo acima está dentro do registro da concepção e nascimento de Cristo, notadamente quando o anjo Gabriel diz a Maria sobre a surpreendente gravidez de sua prima Isabel, então estéril, com idade avançada e que já estava no sexto mês de gestação (Lc 1.26-45). Ou seja, o que era uma impossibilidade na visão humana, Deus fez acontecer por meio de sua vontade. Essa notícia foi o suficiente para fazer brotar a fé em Maria naquilo que foi o propósito de Deus para salvar a humanidade.

Uma frase muito propalada nas reuniões cristãs é a declaração que Deus realiza tudo que for da vontade do homem. Neste pensamento as pessoas são instruídas a pedirem tudo para Deus em suas orações com a plena certeza que Deus, em sua infinita bondade os atenderá. De maneira mais clara, muitas reuniões enfatizam que a bondade de Deus é grande o bastante para atender todo mundo em todos os pedidos.

Há um abismo entre o homem e Deus em todos os aspectos, começando pela natureza humana que nasceu sob o pecado (Rm 3.23). Veja que de maneira geral o homem apresenta-se na maioria das oportunidades como o centro de suas vontades, sempre desejoso de chamar a atenção para si. E neste contexto, existe um determinismo perverso e manipulador que impõe de tudo, inclusive as bênçãos que o homem deve receber.

Justamente nesta visão equivocada, as pessoas se frustram quando suas orações, seus caprichos e seus desejos não são atendidos. Atente bem que curas, milagres e todo tipo de bênçãos são concedidas conforme a vontade do Pai e não por força e imposição humana. É neste ponto que muitas pessoas são manipuladas, feridas e machucadas em nome de Deus (Mt 7.15; At 20.29). Reflita sobre isso!

Maria entendeu perfeitamente o exemplo citado pelo anjo Gabriel e isso fortaleceu seu espírito para enfrentar os nove meses de gestação. Ela compreendeu por meio do exemplo do que Deus fez a Isabel (uma gravidez impossível), que as impossibilidades acontecem quando estão nos planos de Deus (Ec 3.1).

Lembre-se que os pensamentos de Deus são muito diferentes dos pensamentos do homem, portanto, nada adianta ao homem atravessar a vontade divina, determinando isso ou aquilo em suas reuniões. Deus se movimenta sem dar satisfações ao homem (Is 55.8-9). Era vontade de Deus que a estéril Isabel engravidasse e era vontade de Deus que João, o Batista, anunciasse o arrependimento aos “perfeitos judeus cumpridores da lei” e fosse o precursor de Jesus. De mesmo entendimento, era da vontade de Deus que uma virgem engravidasse por meio do Espírito Santo e dela nascesse o Messias. Nenhum dos três casos acima aconteceria por mero desejo humano, e abra seu entendimento que não passou pela cabeça de Maria engravidar naquelas circunstâncias e nem Izabel teria condições em sua velhice de engravidar. Essas duas concepções eram impossíveis de acontecer, mas somente se tornaram realidade por estarem inseridas nos planos de Deus. Não se esqueça disso!

Portanto, compreenda bem que não adianta o homem criar situações e reuniões determinando bênçãos si mesmo ou para outras pessoas, pois Deus não se move ao sabor das vaidades humanas. O autor da carta aos Hebreus diz que primeiramente se faça a vontade do Pai e somente depois, sendo da vontade DELE, virão às promessas (Hb 10.36). Resumindo, Deus age soberanamente segundo a sua vontade e os seus propósitos. O que passar disso é pura vaidade ou invencionice humana, amém?

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

 

 

Segunda, 14 Janeiro 2019 14:13

TEMPESTADE

TEMPESTADE

“Então, Paulo declarou ao centurião e aos soldados: “Caso estes homens não permaneçam conosco a bordo, vós não podereis ser salvos” (At 27.31)”.

 

O versículo acima está no contexto do naufrágio de um navio que navegava pelo que é hoje o atual mar Adriático com 276 pessoas a bordo, nos idos do século I (At 27.37). Dentre essas pessoas, estava o apóstolo Paulo, autor da ordem para que os marinheiros permanecessem no navio e desta maneira todos fossem salvos do naufrágio que era iminente (At 27.21-38).

Lucas foi o autor do livro de Atos dos Apóstolos e também do evangelho que leva seu nome. A história diz que ele acompanhou Paulo a partir da segunda viagem missionária e a narrativa de Atos mostra o início da formação da igreja, seus momentos mais importantes e as grandes participações dos apóstolos que pavimentaram este caminho, principalmente Pedro e Paulo.

Passar por momentos maus, enfrentar situações aflitivas ou angustiantes é algo comum a muita gente. Dívidas, enfermidades, problemas nas empresas, fracasso espiritual e dificuldades nas relações de namoro e casamento são apenas alguns dos inúmeros problemas que podem afetar qualquer pessoa de todas as idades. Se os problemas são comuns, a diferença está justamente no enfrentamento: enquanto uns fogem do problema, existem aqueles que permanecem, lutam e vencem.

O apóstolo Paulo viajava na condição de preso, era escoltado por soldados para a capital italiana e o navio enfrentava uma tempestade. Lucas narra que os homens estavam há mais de catorze dias lutando contra aquela situação, inclusive sem comer e a tripulação tinha receio que a embarcação fosse de encontro as rochas. Lucas relata ainda que os marinheiros estavam desesperados e desejavam fugir abandonando o navio. Parece cômico falar em fuga, mas naquelas circunstâncias, em mar aberto e debaixo de tempestade, a embarcação era o único local seguro (At 27.30). Pense!

 Compreenda que a cada dia as pessoas são levadas a tomarem decisões. As pessoas decidem o meio de transporte para o trabalho, escolhem o que vestir e o que alimentar e logicamente decidem que solução dar aos problemas que aparecem. Há casos de menor potencial e há mesmo àqueles que mais parecem um tsunami, dada suas proporções em causar aborrecimentos e estragos na vida.

Naquele navio a tempestade era caso de vida ou morte. Os marinheiros com todas suas experiências em navegação desejavam pular na água como se essa fosse a solução. Debaixo daquela tempestade, certamente que essa fuga era loucura. Mas saiba que é justamente assim que muitos pensam quando estão enfrentando situações complexas em sua vida. Ao perceberem que o problema caminha para proporções maiores e indesejáveis e que há necessidade de assumir responsabilidades, muitos desejam fugir. É como se a fuga fosse a solução. Fugiu, acabou o problema. Grande mentira! O problema matriz continuará a existir e a fuga se torna o segundo problema. Se tinha um caso para resolver, entenda que agora são dois problemas. Reflita nisso!

Paulo falou para os marinheiros ficarem no navio e ninguém pulou na água. Ele foi acatado pelo chefe da tripulação e os marinheiros tomaram diversas providências para enfrentar a tempestade e o navio atracou numa ilha e todos se salvaram (At 27.44). Pode-se conjeturar que todos que estavam naquela embarcação, sem exceção, passaram por momentos de extremo medo, altas doses de adrenalina, gritos, noites sem dormir, mas a vida, o bem maior de todos foi preservada justamente porque na crise que estavam passado, ouviram quem tinha autoridade e enfrentaram a tempestade. Não fugiram da crise, pense nisso!

Entenda que nem sempre a pessoas estão encorajadas a enfrentar situações que não estão sob o seu controle (At 27.31). Problemas conjugais, problemas com filhos, dívidas fora do controle, enfermidades e uso de drogas por pessoas da família são semelhantes a tantos outros enfrentados por milhares de pessoas mundo a fora. Todos passam por lutas de todos os tipos e a fuga jamais é a solução. Lembre-se que o próprio Cristo profetizou que aflições de todas as espécies estariam presentes na vida do cristão (Jo 16.33).

Tenha em sua mente que nos momentos mais estressantes, no ápice das crises, permita-se ouvir Jesus, verdadeira força que sustenta, acalma a tempestade, concede paciência e direciona as decisões a serem tomadas. Os marinheiros ouviram Paulo e se deram bem, mas pode-se conjeturar que caso eles tivessem saltado ao mar, provavelmente teriam morrido, o navio naufragado e a história seria outra. Ouvir a voz do Pai é ter a certeza que ele não só conhece sua situação como se inclina para ouvir aqueles que clamam pelo seu nome (Sl 116.1). Portanto, não fuja do problema, permaneça, lute e confie, pois maior é aquele que está com você do que aquele que está no mundo (1 Jo 4.4). Amém?  

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

Segunda, 07 Janeiro 2019 14:59

RECORDAÇÕES

RECORDAÇÕES

“Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este evangelho for pregado, também o que ela fez será contado para sua memória”. (Mc 14.9)

 

Marcos não foi discípulo de Jesus e escreveu seu evangelho apresentando Jesus como servo, aquele que veio para servir. Também identificado como João Marcos, (membro de uma família que já seguia os passos de Jesus e que morava em Jerusalém) ele foi ajudante de Paulo, Barnabé e Pedro, aliás, de quem certamente obteve muitas informações que basearam sua narrativa (At. 12.12). Existem poucas informações sobre a pessoa de Marcos, mas segundo os estudiosos o anônimo enrolado em um lençol que estava nas proximidades da crucificação de Jesus teria sido o próprio Marcos (Mc 14.51).

Com raras exceções, saiba que as pessoas gostam de serem lembradas do que fizeram ou do que deixaram de fazer. E quando essas lembranças caem no gosto popular pelo lado positivo, sobressai o orgulho, afinal de contas ele ou ela está sendo lembrado por uma ótima participação, e essa recordação positiva provoca uma sensação de bem estar, traz alegrias e honra. O contrário disso também é verdadeiro, causa constrangimento quando as recordações são provocadas pelas realizações ruins, negativas ou impróprias.

Jesus foi abordado por uma mulher de nome Maria, a mesma que teve a alegria de ver seu irmão Lázaro ressuscitado. Jesus estava assentado e a narrativa diz que ela derramou sobre ele um perfume muito caro pelos padrões daquela época. Sua atitude era um sinal de adoração, de reconhecimento e de honra. Jesus recebeu aquela adoração, mas os discípulos que estavam acompanhando o Mestre se indignaram e não perderam a oportunidade de comentar que Maria poderia ter dado outro destino ao perfume (Mc 14.4-5).

Entenda bem que Maria procurou por Jesus e pode-se acreditar que ela estava alegre e bem disposta. Pode-se conjeturar ainda que ela tenha gastado toda sua economia para adquirir o perfume e isso inclusive também foi alvo das críticas dos discípulos, que diziam que Maria poderia vender o perfume e dar o dinheiro aos pobres.

Atente que muitas pessoas procuram por Cristo quando enfrentam grandes tragédias familiares, quando são vítimas de injustiça, quando precisam de milagres ou quando nada mais dá certo em sua vida. Provavelmente que Maria não passava por nenhuma dessas situações, ela estava extremamente satisfeita, aliás, dias antes ela havia presenciado a ressurreição de seu irmão Lázaro, justamente aquele que já estava no sepulcro e ao chamado de voz de Cristo, saiu do túmulo. Resumindo, Maria não chegou pedindo nada, não chegou murmurando, nem reclamando, ela chegou ali simplesmente para adorar. Numa frase bem popular, era a fome com a vontade de comer. Pense!

Traga esse episódio para nossos dias e veja a grande semelhança de muita gente com os discípulos que fizeram comentários maldosos contra Maria. Hoje, muitos chegam às igrejas com pensamento de consumidor, se portam como clientes de lojas de departamentos, olhando tudo ao redor e chamando a atenção das pessoas pelos comentários e julgamentos que fazem sem nenhum rodeio. Ou seja, em vez de dedicarem seus tempos para adorar Cristo, essas pessoas fazem as mesmas coisas que os discípulos fizeram e pior, perversamente seus comentários influenciam e contaminam outras pessoas a terem o mesmo procedimento. Isso te faz lembrar alguma coisa recente?

Perceba que ao final, Jesus não só recebeu a adoração, como fez questão de afirmar que Maria seria lembrada no futuro pela sua atitude (Mc 14.9). O ato daquela mulher em adorar, em ofertar a Cristo o que ela tinha de melhor, pode ser visto como gratidão ao analisar a pergunta do salmista sobre o que ele daria a Deus por todos os benefícios que o Senhor tinha lhe ofertado (Sl 116.12).

Uma frase secular diz que a flecha que sai do arco, a palavra dita e a oportunidade perdida não voltam atrás. É neste contexto que Maria não perdeu a oportunidade de adorar, glorificar e exaltar o Mestre e de forma contrária, os discípulos perderam a excelente oportunidade de ficarem calados diante da manifestação daquela mulher. Maria será lembrada pela sua adoração e os discípulos serão lembrados pelos comentários extremamente inoportunos. Perceba as diferenças de recordações e reflita nisso!

Neste contexto, não esqueça que decisões e escolhas tomadas no dia de hoje certamente serão lembradas por outras pessoas amanhã, portanto, adore a Deus com excelência e caso não possa adorar, não critique quem adora, permaneça calado. Guarde isso no seu coração!

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

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