Milton Marques de Oliveira

Milton Marques de Oliveira

Segunda, 15 Julho 2019 16:19

PROMESSAS

PROMESSAS

“Então, em seguida Abraão orou a Deus, e Deus curou Abimeleque, sua mulher e suas servas, a fim de que pudessem novamente ter filhos” (Gn 20.17)

 

Escrito pelo profeta Moisés, o livro de Genesis mostra o poder de Deus na criação da criação da terra, dos mares, das estrelas, dos vegetais, dos animais e do homem. Inicia-se neste livro de maneira progressiva a autorevelação de Deus aos homens, terminando em Cristo no Novo Testamento. Em Gênesis têm-se ainda as narrativas sobre os grandes patriarcas como Abraão, Jacó e Isaque e também o registro da história de José. Ainda em Gênesis é citado o problema do pecado que afetou não só a condição da vida do homem como culminou no seu afastamento de seu Criador, Deus.

A passagem acima está contextualizada em um capítulo inteiro. Resumidamente, Abraão saiu em peregrinação na terra dos Filisteus, mentiu sobre quem era Sara aos habitantes do lugar, ocasionando que um homem de nome Abimeleque a levasse para sua casa. Deus o repreende e ele a devolve a Abraão (Gn 20).

Observe que Abraão é um personagem muito conhecido por acreditar num chamado e ter fé para não ficar onde Deus não queria que ele ficasse. Muito embora tenha passado por crises, Abraão foi um homem que acreditou intensamente nas promessas de Deus para sua vida e foi extremamente abençoado. A narrativa de Moisés, diz que ele tinha relacionamento e intimidade com Deus, e o profeta Isaías corrobora com um essa afirmativa e detalha: Abraão era amigo de Deus (Is 41.8).

Percebe-se com muita facilidade que vivemos num mundo cada vez mais competitivo. Desde cedo as pessoas conduzem suas vidas num cenário muito explícito de ganhar ou ganhar, aliás, ninguém está preparado para perder. O foco ou a visão é sempre vencer, nem que para isso sejam empregados meios nada convencionais, inclusive em ambientes familiares. Noutras palavras, o homem nasce e cresce num ambiente competitivo e isso não cessa, mesmo quando adulto. Reflita isso!

Veja que Abraão era pai de Ismael, nascido de um caso extraconjugal com uma serva de nome Hagar, numa história muito conhecida (Gn 16.1-4). Enquanto a criança Ismael crescia, Abraão ainda vivenciava juntamente com sua esposa Sara o tempo da promessa de ser pai de Isaque. A palavra de Deus dizia que essa criança viria do ventre de Sara e que ele, Abraão, seria pai de muitos (Gn 17.18).

“...Abraão orou a Deus, e Deus curou Abimeleque, sua mulher e suas servas, a fim de que pudessem novamente ter filhos” (Gn 20.17). Atente de forma incrível que mesmo não sendo pai de um filho com Sara, este detalhe não foi impeditivo para Abraão interceder a Deus para curar Abimeleque, suas mulheres e suas servas, de maneira que tivessem filhos. Olha o que Abraão fez! Ele ainda não era pai de Isaque e poderia muito bem agir de forma competitiva e simplesmente recusar em fazer a oração para que outro homem fosse pai. Até aqui ele tinha apenas a promessa. Reflita sobre o nível de maturidade de Abraão!

Traga este episódio para nossos dias e veja de forma semelhante, quantas pessoas ainda pensam de maneira contrária ao comportamento e postura de Abraão. Acreditam essas pessoas que se Deus ainda não os abençoou, nada justifica elas intercederem para Deus conceder algo que elas próprias ainda não possuem. Isso mostra claramente o perverso sistema competitivo que teima em fazer morada em muitos corações. Para muita gente que recebeu do Pai suas promessas e estão hoje vivendo este tempo de espera, é inconcebível orar para outra pessoa numa situação idêntica a que viveu Abraão. Entenda bem que uma coisa é você não ter recebido o que Deus te prometeu e outra coisa muito diferente é evidenciar quem você é em Cristo. Abraão é um personagem que se tornou referência de maturidade em viver os propósitos de Deus de maneira muito intensa, basta ver o pedido de Deus sobre o sacrifício de Isaque (Gn 22.2). Pense!

Compreenda que o foco de Abraão em Deus era muito maior que suas vontades e desejos e isso ficou evidenciado quando ele cuidou dos interesses de Deus em dar descendência a Abimeleque, enquanto ele, Abraão, apenas nutria expectativas quanto ao nascimento de Isaque. Atente que hoje muita gente sente ciúmes quando outra pessoa é abençoada por Deus. Uns chegam a se desesperar, outros reclamam em alta voz e tem ainda aqueles que simplesmente abandonam a fé e abraçam a incredulidade. Pode-se conjeturar que Abraão saiu honrado por Deus quando as noticias do nascimento das crianças daquelas mulheres chegou aos seus ouvidos e isso, certamente fortaleceu sua fé em continuar fazendo a vontade de Deus e acendeu a esperança que Isaque também chegaria, no tempo de Deus (Hb 10.36).

Portanto, saiba que o sinal de maturidade de quem vive a graça de Deus é reconhecer que todos precisam da mesma graça. Guarde isso: você não está competindo com ninguém, seu maior adversário é você mesmo. E mais: não ter ainda aquilo que Deus te prometeu e continuar firme no propósito revela que você está dentro do que o Pai espera de você. Você entende isso?

Jesus Cristo Filho de Deus te abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

Segunda, 08 Julho 2019 13:08

PROPAGANDA

PROPAGANDA

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.” (Mt 5.5)

 

O evangelho de Mateus é o elo entre o Velho e o Novo Testamento. Sabe-se que Mateus era judeu e escreveu seu evangelho aos seus compatriotas, apresentando Cristo como o rei dos reis. Segundo historiadores, era morador da cidade de Cafarnaum onde trabalhava como cobrador de impostos para o Império Romano, grande inimigo do povo judeu, e o incrível é que o próprio Mateus se descreveu como publicano, rótulo dado pelos judeus aos cobradores de impostos (Mt 10.3). Pode-se acreditar que devido as atividades que exercia, Mateus fosse um homem intelectual e tivesse bom conhecimento dos números. Ao chamado de Jesus, renunciou seu status, abandonou tudo o que possuía e seguiu o Mestre (Mt 9.9).

O versículo acima está dentro do contexto do Sermão do Monte, onde Cristo revelou sua doutrina, tanto aos quatro primeiros discípulos chamados como para as demais pessoas que o acompanhavam. Mais a frente, Cristo chamaria os oito discípulos restantes (Mt 5.1-2).

Atente para o caos em muitos setores das sociedades, inclusive o eclesiástico. Basta ter acesso aos noticiários para conferir delitos que nem causam mais surpresas, tais as frequências com que eles são cometidos e amplamente divulgados. Intrigas familiares, desentendimentos no trânsito, agressões de todas as espécies, crimes sexuais, estelionatos, golpes, fraudes, corrupção no governo e tantas outras mazelas que parecem mesmo fazer parte do cotidiano do homem.

Saiba que um novo produto somente se torna conhecido por meio das propagandas. Aliás, existe um ditado popular afirmando que a “propaganda é a alma do negócio”, ou seja, o produto ou aquilo que se deseja promover somente será conhecido positiva ou negativamente, pela ampla divulgação. Assim é fácil verificar que existem as propagandas que enaltecem o produto e de forma contrária, têm-se aquelas que o diminuem.

Quando ensinava, Jesus mostrava em sua doutrina, tudo aquilo que ia de encontro às doutrinas que vigoravam na sociedade judaica. Era necessário mostrar como seus seguidores deveriam se portar em situações de conflito a que estariam expostos, desde os confrontos nas relações familiares até os embates com os líderes religiosos. Era preciso incutir nas mentes daqueles que o ouviam, a certeza de como iriam se comportar nos relacionamentos quando deparassem com inúmeras situações do dia a dia.

“Bem-aventurados os mansos..” (Mt 5.5). Perceba que existe uma teoria perversa interpretando equivocadamente esta frase do Mestre. Entendem alguns que ser manso é ser fraco, é ser desanimado para os grande combates da vida. A verdade é que ser manso, é justamente o contrário, manso é aquele ou aquela que diante de tantas situações conflituosas, se mostra forte o suficiente para não só controlar os ânimos, mas acima de tudo ter alteridade (se colocar no lugar do outro) e dar uma solução de paz e de sensatez.

Compreenda que na sociedade, nas empresas, nas faculdades, nas escolas, nas ruas, avenidas e praças, muitas das vezes, o homem tem diante de si mesmo a resolução dos conflitos, todavia, alimentado em seu ego sobre o uso da força física, da coragem e da ausência de mansidão ele caminha para soluções intempestivas e ríspidas.  E nem sempre o resultado é agradável. Pense nisso!

Neste contexto, cabe ao cristão exercer verdadeiramente sua mansidão quando expressa sua submissão a Deus, demonstrando respeito e controle de seus atos nas tratativas com todas as pessoas. Lembre-se que não basta ser crente em Jesus e pregar o amor de Deus, se existe discordância entre o que se fala e o que se pratica. Foi justamente sobre isso que Jesus chamou os fariseus de sepulcros caiados, ou seja, bonitos por fora e podres por dentro (Mt.23.25-27). Em sua doutrina, Jesus ensinava que ser manso não era sinal de fraqueza, mas de controle do comportamento nas relações conflituosas, ou seja, para o cristão, não é o quanto ele conhece de Cristo, mas o quanto ele se parece com Cristo (1 Co 11.1 e Ef 5.1). Reflita nisso!

Lembre-se que em nenhum momento Jesus entrou em conflitos nas inúmeras situações em que esteve envolvido com os líderes religiosos de sua época. Mesmo quando era provocado, a sua resposta expressava a mansidão (Jo 8.1-11). Incrível, mas veja que tem muita gente que se encontra nos dias atuais fazendo propaganda negativa contra o reino de Deus por meio de suas reações às circunstâncias da vida, notadamente quando anunciam o evangelho de Cristo e não vivem efetivamente a doutrina que Jesus deixou. Noutro lado, existem aqueles que fazem um marketing vigoroso do amor de Deus, quando demonstram mansidão e se permitem serem guiados pelo Espírito Santo em diversas situações, sempre na busca da paz. Viva isso, amém?

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

Segunda, 01 Julho 2019 13:51

PERDÃO

PERDÃO

“E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão.” (At 8.3)

 

O livro de Atos dos Apóstolos e o terceiro evangelho foram escritos por Lucas. Embora Lucas não tenha estado entre os doze, sua amizade com Paulo rendeu-lhe muitas informações a ponto de acompanhá-lo nas viagens missionárias pelo mundo de então. A narrativa de Lucas em Atos mostra desde as dificuldades iniciais da pregação do evangelho como o sucesso no estabelecimento de diversas comunidades cristãs por onde anunciavam Cristo. Atos dos Apóstolos registra também as perseguições, as curas, os milagres e as conversões coletivas e individuais que mais se sobressaíram em decorrência das circunstâncias do momento (At 2.41; At 10.33; At 14.1-10; At 16.14-30).

O passado das pessoas é algo que ela carrega por onde for e até mesmo depois de sua morte muitos de seus atos serão lembrados, quando não registrados para gerações futuras terem conhecimento. Evidentemente que algumas situações do passado não devem ser lembradas, todavia, para o homem, olhar para trás é algo comum. Caminha-se para frente, mas seus olhos sempre voltam para o retrovisor da vida, como se este olhar pudesse direcionar para onde ele deve andar.

Paulo é um personagem muito conhecimento no meio cristão. Depois de Cristo, ele é o maior doutrinador da fé cristã. Seus ensinos foram registrados em trezes volumes, com destinatários individuais (Filemom, Tito e Timóteo) e coletivos (comunidades cristãs de Corinto, Colossos, Filipo, Roma, Éfeso, Gálatas e Tessalônica).

Atente que nas relações pessoais o passado assume papel de grande importância. As empresas contratam mediante as informações pessoais do passado, amizades são estabelecidas ou desfeitas mediante o conhecimento de quem foi a pessoa no passado e desta maneira, os atos de anos atrás se tornam fundamentais para conquistas no presente. No mundo secular com suas normas e regras não há mesmo como fugir dessa situação.

“Sou Eu, Eu mesmo, aquele que apaga tuas transgressões, por amor de mim, e que não se lembra mais de teus erros e pecados.”(Is 43.25). Essas palavras do profeta Isaías foram direcionadas ao povo de Israel, que teimava em ter uma vida descompromissada com Deus. Ora estava firme e adorando a Deus e ora caía nas práticas do pecado e se afastava. Nisso é fácil perceber que aquela nação, escolhida por Deus, tinha um péssimo passado. Mas por meio das palavras do profeta, Deus dizia aos israelitas que eles não deveriam se importar com os erros cometidos no passado, que não era preciso contabilizar as transgressões que eles tinham praticado na caminhada, pois Deus não levava isso em conta. Noutras palavras, Deus enxergava a vida daquele povo dali para frente e simplesmente os perdoava, era o prenúncio da graça que foi e continua sendo a mais pura demonstração de amor. Reflita!

É neste contexto que Deus olhou para Paulo e não viu o passado daquele homem como inadequado para que  levar sua mensagem ao mundo, tanto daquela época como aos dias atuais. Aliás, o passado de Paulo aos olhos do homem era mesmo ruim, que o diga Ananias (At 9.13). Lembre-se que Paulo entrou de corpo e alma a serviço dos sacerdotes judaicos na perseguição aos novos cristãos. Com uma visão focada no que realizava, Paulo julgava que estava atuando para Deus (At 22.3-4; 26.9 e Gl 1.14). Implacável e objetivado na sua missão. E tocante aos cristãos que moravam na cidade de Jerusalém, ou estavam na prisão ou em fuga para outras localidades (At 9.1-2).

Diante de tudo isso, pode-se afirmar que Paulo não teria nenhuma chance com Jesus, todavia, para Deus sempre existe a possibilidade do recomeço, sempre existe a possibilidade do perdão, sempre existe a possibilidade de reconstruir. Saiba que Deus transformou Saulo de Tarso, profundamente envolvido nas perseguições em um homem que pregou e viveu a mensagem da graça e do perdão. Ele não merecia, mas Deus a concedeu, ou num termo bem atual, o passado de Paulo foi deletado. Deus o perdoou e lhe deu expectativas de uma vida transformada e transformadora (Ef 2.2-5).

"esquecendo-me das coisas que atrás ficam" (Fp 3.13). Palavras do próprio apóstolo Paulo, deixando claro que muitas das vezes, é o próprio homem que teima em trazer à sua memória aquilo que não deve ser lembrado, que deve ser esquecido e que não vai contribuir e nem edificar o dia de hoje. Noutras palavras, não viva olhando no retrovisor, mas firme os olhos para frente, com Cristo e em Cristo. Não importa o que foi o homem no passado, mas sim o que ele é em Cristo (1 Co 6.9-11). Houve o perdão, você entende isso?

Jesus Cristo Filho de Deus os abençoe, sempre!

 

Milton Marques de Oliveira - Pr

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